Três livros escritos por jornalistas para ir além da notícia

Por Isabela Facci Torezan 2 de maio de 2022
Três livros escritos por jornalistas para ir além da notícia

O papel fundamental do jornalismo está bem claro no cotidiano: sem ele não seria possível o acesso a informações confiáveis sobre tudo o que acontece no mundo. Mas nem só de notícias diárias se faz o jornalismo. Veja neste artigo três indicações de livros escritos por jornalistas.

Grande parte da população tem o hábito de consumir notícias diariamente, e isso parece ter aumentado durante a atual pandemia. A cada dez brasileiros, sete passaram a se manter informados todos os dias devido à situação gerada pela Covid-19, como mostra pesquisa feita pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). As redes sociais e portais on-line de notícias permitem essa atualização em tempo real. 

Apesar de o impacto do jornalismo diário ser tão grande, não é apenas de notícias que se faz o jornalismo. Dentro dele, a reportagem, o artigo de opinião, a resenha e o jornalismo literário também fizeram história registrando e analisando momentos da humanidade. Neste artigo, apresentamos três livros escritos por jornalistas que ajudam a refletir sobre o impacto da profissão para muito além da notícia.

A Sangue Frio 

Considerado um clássico do jornalismo literário, o livro-reportagem de Truman Capote, jornalista estadunidense, conta a história do assassinato de uma família de quatro pessoas na cidade de Holcomb, no Kansas. O autor foi até a cidade um mês após o ocorrido, tendo lido uma notícia sobre o crime em um jornal.

Para a construção da reportagem, ele entrevistou muitas pessoas envolvidas na história, incluindo familiares das vítimas, dos assassinos e os próprios assassinos. Capote assistiu ao enforcamento dos dois condenados.

Este é um dos livros escritos por jornalistas que é um bom ponto de partida para discutir os limites entre jornalismo e ficção, pois o texto de Capote muitas vezes se distancia da objetividade característica da notícia, apesar de procurar manter o compromisso do repórter com a verdade através das inúmeras entrevistas. A imparcialidade do jornalista foi inclusive questionada, devido a relatos de que ele teria se apaixonado por Perry Smith, um dos assassinos condenados.

Voyeur

A pauta desse livro-reportagem foi até o jornalista Gay Talese, que recebeu uma carta anônima de um dono de um motel que alegava ter instalado um sistema para observar seus hóspedes na privacidade de seus quartos, sem ser notado. Gerald, o voyeur, enviou muitas outras cartas e trechos de seu diário ao jornalista, que se recusou a publicar a reportagem enquanto Gerald não aceitasse sair do anonimato.

Assim como Truman Capote, Gay Talese faz parte da geração de jornalistas que desenvolveu o Novo Jornalismo, estilo de escrita de notícias e reportagens que aproxima o jornalismo da ficção por adotar linguagem e perspectivas mais subjetivas. 

A leitura de Voyeur permite refletir sobre o impacto no tempo de algo que já deixou de ser notícia. Talese colocou sua preocupação com a informação da forma como ele julgava adequada, sem o anonimato, acima da urgência tradicional da redação jornalística diária. O resultado é um texto factual, mas atemporal, que se aproxima da ficção por focar mais nas atitudes e intenções do voyeur do que na data dos acontecimentos e na identidade dos outros envolvidos. O livro é também tema de um documentário produzido pela Netflix (Voyeur, 2017) em que os bastidores da reportagem são revelados por Talese.

Os Sertões

Dentre os livros escritos por jornalistas brasileiros, este talvez tenha se tornado o mais clássico de todos, estudado em escolas e cobrado em provas de vestibulares. Euclides da Cunha escreveu o que é considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro para registrar a Guerra de Canudos, conflito que aconteceu entre 1896 e 1897 no interior da Bahia. 

Apesar de ter ido ao local como correspondente do jornal diário O Estado de S. Paulo, a obra vai claramente muito além da notícia: há uma parte inteira dedicada à descrição da natureza e ambiente locais, e outra apenas para a descrição sociológica das pessoas da região. A terceira parte do livro, chamada A Luta, é a que realmente relata a guerra e suas consequências.

O compromisso de Euclides da Cunha com a verdade faz com que um texto que foi notícia há muitas décadas atrás continue sendo lido e estudado como fonte de informação objetiva.

Conclusão

Estar sempre atualizado por meio de notícias diárias é uma necessidade, porém não é tudo o que o jornalismo pode oferecer à sociedade. Apesar de associado com rapidez, urgência e novidade, o trabalho do jornalista também pode ser material para reflexão literária, ética e histórica. A leitura destes  livros escritos por jornalistas é uma boa forma de perceber o impacto amplo que a profissão tem.

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