Quais impactos a CNN Brasil deve provocar no mercado?

Por DINO 14 de fevereiro de 2019
Quais impactos a CNN Brasil deve provocar no mercado?

A CNN anunciou no dia 14 de janeiro que vai iniciar em 2019 suas operações no Brasil. É uma boa notícia para o mercado de comunicação. Serão contratados 400 jornalistas. Além disso, a concorrência com as emissoras do grupo Globo pode acontecer em nível elevado.

Para entender o anúncio, é preciso fazer primeiro um breve retrospecto. Nas últimas duas décadas, houve diversos ensaios malsucedidos dessa mesma iniciativa. O mais próximo que a emissora americana chegou de fincar sua bandeira no Brasil foram tentativas frustradas de parceria com Record e Rede TV!.

Em março de 2017, as tratativas chegaram a ser adiantadas com a Rede TV!. A CNN usaria a estrutura da emissora brasileira. Entretanto, no decorrer da negociação, a AT&T comprou a Warner Bros. — a quem pertence a Turner, dona da CNN. O negócio só foi aprovado em junho de 2018, o que inicialmente esfriou as negociações para depois encerrá-las definitivamente.

A Turner é dona de 14 canais pagos distribuídos no País. No ano passado, ela abriu mão de um deles, o Esporte Interativo. Um exercício de raciocínio lógico permite acreditar que a decisão possa ter sido motivada pelo projeto CNN Brasil.

 
dino divulgador de notícias

Independentemente de haver ou não relação com o fim do Esporte Interativo, o fato é que a participação de dois empresários de peso deu mais firmeza ao negócio. Um é o executivo de comunicação Douglas Tavolaro, com passagens marcantes por Diário de S.Paulo, IstoÉ e, principalmente, TV Record. O outro é Rubens Menin, bilionário do setor da construção civil. A dupla será responsável pela operação da CNN no País.

É provável que a emissora tenha no Brasil atuação similar à de outros países, como os da América Latina. Em sua sede principal, em Atlanta, nos Estados Unidos, a CNN reserva boa parte dos estúdios ao jornalismo em língua espanhola.

O contexto brasileiro atual é mais favorável para a entrada da CNN do que era uma década atrás. Em 2012, entrou em vigor a Lei 12.485, que regula certos aspectos da TV paga. Um dos impactos provocados pela lei foi que a Globosat, do grupo Globo, se desligou da sociedade da NET, mantendo-se somente como programadora.

Com isso, a CNN deve desfrutar de uma condição de igualdade com sua principal concorrente pelo menos na distribuição de conteúdo via NET, Sky e outras operadoras.

Isso não significa, porém, que a simples chegada vá provocar uma migração automática de público da Globo para a CNN. O desafio da emissora americana de conquista do público é enorme. O grupo Globo alcança no Brasil um volume de pessoas inatingível para qualquer emissora americana.

Segundo dados do Diário de Pernambuco, em seu horário nobre, em que exibe novelas, a Globo chega a alcançar 100 milhões de espectadores por dia. É quase metade da população brasileira, de 209 milhões de habitantes.

A CBS, rede mais popular dos Estados Unidos, não chega a 9 milhões de espectadores, o que equivale a menos de 3% dos 326 milhões de pessoas que vivem naquele país.

Há de se considerar, porém, qual o objetivo da CNN no Brasil pelo menos em seus primeiros momentos de vida. Com picos de 1 milhão de espectadores em território americano, a CNN chega ao Brasil para brigar não com a Globo nem com os demais canais abertos, mas com os fechados, disponíveis em TVs por assinatura.

Uma mensuração mais justa, portanto, talvez seja comparar os resultados da CNN Brasil a de GloboNews, Record News, BandNews e outros canais fechados. O que não deixa de ser uma briga dura.

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