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Ricardo Knopefelmacher: "As reestruturações de dívidas vão aumentar nos próximos três anos"

O economista e especialista em recuperação de empresas, Ricardo Knopefelmacher, prevê cenário econômico para os próximos três anos. Dívida de empresas nacionais vão gerar oportunidades para investidores estrangeiros

Rio de Janeiro, RJ (DINO) 30/09/2016
Em artigo, o especialista em recuperação de empresas, Ricardo Knopefelmacher lista os três principais motivos que levaram tradicionais grupos empresariais brasileiros a enfrentar crise financeira. São razões econômicas, políticas e fiscais, explica o economista.

"Um grupo de tradicionais empresas brasileiras atravessa situação de muitas dificuldades. Esse quadro deve-se basicamente a três tipos de problemas. O primeiro decorre do ambiente de retração em vários setores, muito diferente de quatro anos atrás quando havia um otimismo, de certa forma, exagerado. Temos empresas que não estão mal geridas ou com um problema estrutural, mas têm planos de negócios que evoluem em velocidade muito menor que a imaginada, além de estarem sendo corroídos por taxa de juros nominal acima de 20%. O segundo problema é a chamada operação Lava Jato. É uma tempestade perfeita que fez com que empresas que, em tese estavam tocando seus negócios normalmente, de uma hora para outra, tenham virado inidôneas para grandes contratadores, no caso a Petrobras. Com isso, entram em processo de “estresse”, o que exige renegociação bancária e venda de ativos. O terceiro problema vem de frustrações no mercado de commodities", disse Ricardo Knopefelmacher.

Ricardo Knopefelmacher apresenta, no artigo, estudo de sua empresa, a RK Partners, segundo a qual cerca de um quarto de empresas grandes endividadas estão em risco de entrar em recuperação judicial.

"Fizemos um estudo na RK Partners que aponta que, de quase R$ 800 bilhões de dívidas de empresas grandes ou muito grandes (um universo de cerca de 300 empresas com dívidas superiores a R$ 1 bilhão) nas mãos dos três maiores bancos entre 20% e 25% estão no que eu chamaria de watch list (em observação como potencialmente problemáticos). São empresas que não estão em recuperação judicial, mas que correm o risco de "default", ou porque já pediram "waiver" (perdão) nos seus "covenants" (cláusulas que protegem credores de títulos de dívidas), ou porque não estão gerando caixa suficiente. Por conta disso, o mercado de reestruturação nos próximos três anos vai crescer exponencialmente, porque as empresas estão muito alavancadas e o mercado não cresceu como esperavam. Boa parte delas vai sofrer um impacto pela queda dos preços das commodities ou algum desdobramento da Lava Jato", afirmou Ricardo Knopefelmacher.

Para Ricardo Knopefelmacher, os próximos três anos serão de oportunidade para o investidor estrangeiro, que poderá adquirir bons ativos no Brasil por um preço abaixo do mercado e com vantagens significativas.

""Esse quadro vai fazer com que surjam boas oportunidades de negócios para investidores, notadamente os estrangeiros, pois bons ativos serão colocados à venda. Muitas empresas em reestruturação têm participações em grandes projetos de infraestrutura: aeroportos, estradas, empresas de saneamento. São ativos que vão mudar de mãos e ajudar nas grandes reestruturações, mas é um processo que vai demorar muitos meses. Diria que metade dos ativos à venda ainda vai sofrer uma redução de preços, porque a oferta é muito grande e há poucos "players" para comprar. Em infraestrutura as grandes empreiteiras seriam candidatas naturais, mas hoje são elas que estão vendendo." , explicou Ricardo Knopefelmacher.

Com isso, concluiu Ricardo Knopefelmacher ,cria-se ambiente propício para que os grandes fundos de investimento façam suas apostas. Os investidores financeiros terão um papel muito importante no processo de dar liquidez aos ativos das empresas que passam por dificuldades. Tudo indica que poderão fazer bons negócios. Afinal, muitos dos problemas que as organizações enfrentam hoje são cíclicos, como o dos preços de commodities, por exemplo. Em alguns anos, quem comprou barato hoje vai poder vender a um preço consideravelmente melhor.
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Claudia Fernandes

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