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Especialista fala sobre as “armadilhas doces” no trabalho

O ideal seria que a gente escolhesse com o que gostaríamos de trabalhar, onde, para que e para quem. Entretanto, muitas vezes somos levados a uma escolha influenciada por fatores externos como pressão social, status, vontade dos pais, aceitação, dinheiro, dentre outras coisas.

(DINO) 19/09/2016
Andrea Aguiar Azevedo

Uma pesquisa recente da Giacometti Comunicação, que ouviu 1.200 pessoas com 30 anos, apontou que 52% dos jovens brasileiros estão frustrados com a carreira, trabalham para sobreviver e não fazem o que gostam.

Apesar de não ter mais trinta, fiz parte dessa estatística durante muito tempo. Sei bem o que é pegar o caminho errado e seguir nele anos a fio. Ao viver na inconsciência, sem questionar ou tomar uma atitude que pudesse mudar meu estado de infelicidade, ficamos suscetíveis ao que chamo que “armadilhas doces” no trabalho.

O ideal seria que a gente escolhesse com o que gostaríamos de trabalhar, onde, para que e para quem. Entretanto, muitas vezes somos levados a uma escolha influenciada por fatores externos como pressão social, status, vontade dos pais, aceitação, dinheiro, dentre outras coisas.

Abrimos mão de sermos os autores da nossa história para viver a escolha de outros. Quando percebemos, acontece o aprisionamento ao qual denomino de escravidão mental !

Trabalhei anos no ambiente corporativo como advogada. Multinacionais das mais diversas nacionalidades: americana, francesa, italiana. Nada me satisfazia. Cargos, benefícios, status, salários. Tudo isso não tirava a angústia do peito, o choro da manhã para não ir ao trabalho, a vontade enlouquecedora que chegar ao final do dia para dormir e esquecer toda aquela sensação de não pertencimento.

Por trás disso, a rotina era de infinitas horas extras, ponte aérea a todo instante, noites em claro para finalizar relatórios e prazos, má alimentação e sedentarismo. Tudo em prol do sonho de outros.

Mas se estava tão ruim assim, porque não saiu logo de uma vez? Em função do medo e da escravidão mental que eu vivia, sem saber, cai muitas vezes nessas Armadilhas Doces! Queria suprir a expectativa da sociedade, além disso, os seguidos aumentos de salário, o convênio médico e o vale refeição serviam como paliativos para que eu continuasse ali, iludindo, em primeiro lugar, a mim mesma.

O medo de ser taxada como louca pelos colegas e amigos, de ter a carteira de trabalho “suja”, de ter o currículo manchado e consequentemente não conseguir uma recolocação no mercado, de ficar sem dinheiro, me paralisou! Durante anos continuei na labuta diária, sem perspectiva de ser feliz profissionalmente. Não sabia que existiam outras possibilidades fora das instituições empresariais.

Felizmente a ideia do trabalho como algo penoso e desgastante vem caindo por terra e reinventar-se para que a vida profissional seja um lugar de prazer tem sido uma realidade. O empreendedorismo criativo e as novas relações de trabalho têm possibilitado uma atitude diferenciada, conciliando a realização com a geração de renda.

A busca do autoconhecimento é essencial para atingir a clareza necessária de quem somos e do que queremos, para que, assim, possamos sair do estado de insatisfação deixando de cair nas tais armadilhas e sendo autores da nossa própria vida, de forma consciente. Foi assim comigo e deu certo!

Para aqueles que não se sentem realizados com seu atual trabalho e buscam a luz no fim do túnel, vamos realizar no dia 1º de outubro, no Museu Inimá de Paula, em BH, o Escape , um evento para estimular a autenticidade e o empreendedorismo criativo, com debates sobre as tendências mundiais de trabalho e qualidade de vida. Seis profissionais de sucesso, que deram um basta em seus empregos tradicionais e foram em busca de seus propósitos de vida, vão ministrar palestras e contar suas histórias. No evento haverá também performances, trocas, dinâmicas de inspiração, libertação, criatividade e networking. Para se inscrever, acesse o site www.escapebh.com.br .

Andrea Aguiar Azevedo fez sua transição de carreira há 10 anos. É gestora de marca pessoal e educadora. Idealizadora do projeto Terapia do Café e da Escola Tecendo Saber.

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Juliana Minardi

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