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Aposentadoria é negligenciada por maioria dos brasileiros

Planos de aposentadoria não são tratados como prioridade por maioria da população brasileira. Entretanto, entre os que possuem um planejamento para o futuro, investimentos mais rentáveis vêm tomando o lugar da poupança

São Paulo - SP (DINO) 17/08/2016

Segundo estudo, mais de 64% da população não possui planos de aposentadoria, afora as contribuições ao INSS.

Hora extra, 13º salário e férias são algumas das preocupações frequentes dos trabalhadores brasileiros. Muitos querem trabalhar e ganhar de acordo com seu esforço para, no futuro, ter mais tranquilidade. Contudo, no ano em que a CLT completa 73 anos, muitas pessoas continuam deixando o planejamento da aposentadoria em segundo plano.

Pesquisa desenvolvida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), verificou que muitos brasileiros não estão se organizando corretamente para a aposentadoria. Segundo o estudo, mais de 64% da população não possui planos de aposentadoria, afora as contribuições ao INSS.

Isso significa que seis em cada dez brasileiros não têm planos financeiros para assegurar um futuro tranquilo. Esse número é alarmante e evidencia um déficit no planejamento a longo prazo da população do país. Contar somente com o valor da aposentadoria pública pode causar muitas dores de cabeça. Além do valor a receber ser abaixo do salário do trabalhador, propostas de mudanças nas regras poderão provocar ainda mais disparidades.

Colocar a aposentadoria como prioridade na vida financeira deve ser algo iniciado ainda jovem. Isso porque, com o passar dos anos, alguns serviços como planos de saúde por exemplo, ficam mais caros. Todavia, a renda de um aposentado não consegue acompanhar essa alta de preços. Deste modo, a aposentadoria pode deixar de ser um período de tranquilidade e se tornar uma fase de preocupação.

Falta de recursos e de conhecimento são principais justificativas

A pesquisa também identificou que, apesar de relapsos, os participantes compreendiam as consequências negativas dessa falta de planejamento. Do total, 38,8% entende que na aposentadoria haverá uma queda no padrão de vida e 26,7% acredita que a falta de uma boa renda fixa mensal causaria transtornos no futuro. Ainda, mais de 13% dos entrevistados afirmaram que, para manter as contas em dia, não será possível parar de trabalhar.

Se muitos brasileiros entendem a necessidade desse planejamento, grande parte não o faz por falta de recursos. Cerca de 32% admite que não poupa porque não sobra dinheiro para pensar no futuro.

De acordo com o levantamento, entre aqueles que disseram fazer algum tipo de reserva para além do INSS, o valor médio poupado é de R$ 258,00 por mês. Para mais de 63,4% que poupam, a frequência é mensal. No período de um ano, são feitas em média nove aplicações. No que se refere à duração média aferida, as reservas prolongam-se por aproximadamente 8 anos.

Quanto a outros tipos de investimentos, quase 20% dos entrevistados afirmaram deixar o dinheiro na poupança e 6% aproximadamente disseram investir em imóveis. Com relação à previdência privada, foram cerca de 6% que declararam aplicar dinheiro nesta modalidade de investimento

Além da falta de recursos financeiros, outra justificava dada para a ausência de planejamento da aposentadoria foi a falta de conhecimento sobre como investir. Foram mais de 19% dos participantes do estudo que informaram não saber como poupar dinheiro e aplicá-lo em melhores investimentos.

Poupança perde espaço para investimentos mais rentáveis

Existem diferentes opções de investimentos para quem não quer contar apenas com o INSS e pretende poupar dinheiro em busca de uma aposentadoria tranquila. Entre as modalidades mais procuradas estão a previdência privada, o Tesouro Direto e o CDB (Certificado de Depósito Bancário).

A poupança, uma das preferências nacionais, tem perdido cada vez mais adeptos, devido principalmente à alta da inflação. O Banco Central divulgou dados esse ano que comprovam a perda de popularidade: nos primeiros três meses deste ano a poupança apresentou seu pior desempenho desde 1995.

O CDB e o Tesouro Direto, além de apresentarem bons rendimentos, oferecem a vantagem de serem usados como margem de garantia para investir na Bolsa de Valores . E a própria bolsa é uma excelente opção para quem quer ver o dinheiro de anos trabalho render. A lucratividade e a diversidade de investimentos que o mercado de ações oferece tem chamado a atenção de muitos brasileiros.

Exemplo do crescente interesse é que, hoje em dia, já são mais de 560 mil pessoas cadastradas para operar na Bovespa. Além disso, a Bolsa de Valores se mostrou o investimento mais lucrativo do país no primeiro semestre. Sua rentabilidade acumulada chegou a mais de 20% nos seis primeiros meses deste ano. Em comparação a outros investimentos essa valorização fica ainda mais evidente. O CDB rendeu 7,27% no mesmo período, enquanto a poupança apenas 4,04%.

A crescente busca por investimentos mais rentáveis denota uma mudança de comportamento dos brasileiros. Apesar de ainda bastante sutil, esse movimento, além de promover uma transformação no planejamento financeiro da população, pode indicar que o potencial de investimentos do país será cada vez mais bem aproveitado.
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Ana Cláudia Inez

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